6 Capa /// Entrevista com Teresa Ricou «Ainda vou descer de rappel do tecto do Coliseu» Teresa Ricou já em criança tinha uma obsessão: transformar o mal-estar em bem-estar. Tornou-se Teté, a primeira mulher palhaço da Europa. Os palhaços não têm idade. Ela tem vida, energia e vontade de «transformar tragédias em coisas viáveis». Que comece o espectáculo. Texto de Filipe Mendonça Fotografias de Pedro Loureiro Teresa ou Teté? Depende. É mais fácil ser Teté, porque temos de facilitar as coisas, não é? Mas não estou em pista, por isso o meu nome é Teresa Ricou. Ricou não é apelido de palhaço. Como é que a família lidou com essa ideia? Suspira Eles não tinham ideia. Nem eu. Isto foi uma coisa que me foi surgindo ao longo da vida, à medida que queria transformar o mal-estar em bem-estar, o pouco em muito. Quando estava de castigo nos do Norte, da Granja, onde cada um nascia predestinado. Nasci para ser a rapariga religiosa, bem comportada, atenta, sempre pronta a ajudar, e tal... Mas corri África com o meu pai e com os meus sete irmãos, e isso deu-me uma perspectiva do mundo. Hoje sei de onde sou. Sou uma mistura entre o meu pai, médico franco-suíço, a minha mãe brasileira, a minha avó italiana… Hoje sabe de onde é? Ao fim de 33 anos de projecto, 40 de revolução e quase 80 de vida, > colégios, transformava aquilo num grande arraial. Desde pequena que tenho esta coisa de fazer rir, de transformar as tragédias em coisas viáveis e interessantes. Fui percebendo que é a rir que devemos dizer aquelas coisas que as pessoas não gostam de ouvir. Tinha esse dom. Mas de onde é que isso vem? Não foi educada para ser palhaça… Fui educada para ser religiosa e a minha religião veio dar à arte. Nós somos uma família grande
Revista Saúda N.5
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