8 Capa estou a ver como volto a ser aquilo que devia ter sido e não fui: palhaço, a minha profissão, artista de circo. Vai voltar à pista? Quero e vou conseguir, não há dúvida. Ainda vou descer de rappel do tecto do Coliseu, tipo Mary Poppins. Quero descer de palhaço, de Teté, com uns sapatos grandes, bonitos… Vamos ver é se não me estampo lá no final. risos Mas também já caí tantas vezes que não há-de ser esse o problema. «O circo é redondo, como o mundo. É a melhor metáfora da vida» Quem gostaria de ter na primeira fila, no dia em que voltar ao Coliseu? O circo é redondo, como o mundo. É a melhor metáfora da vida. Gostava de lá ter os putos todos que ensinei. Todos ali, a aplaudir, a perceber como é, e a dizer: “Afinal ela faz”. Falta-me ter essa oportunidade, de mostrar o que era a minha profissão, porque dei a minha profissão a outros. Ensinei. Quando percebeu que queria ser palhaço? Lá pelos 20, 21 anos. Estava a sair da TAP, fazia muita publicidade, andava no meio do cinema a animar aquela coisa toda. A verdade é que só descobri que estava na minha profissão no dia em que entrei no Coliseu com o senhor Luciano Nobre, o grande palhaço português e chefe dos “Faz Tudo”, tinha ele 80 anos. Trabalhei depois com o senhor Totó Campos e de seguida com o senhor Zeca Elizabete, os grandes do mundo do circo. No final resolvi ficar sozinha e descobrir em mim a mulher palhaço: a Teté. Já viu a volta que fui dar para chegar à Teté? O que é que a maquilhagem da palhaço Teté esconde da Teresa? Não esconde. Antes pelo contrário, embeleza-me. Gosto muito dessa máscara. Fico muito bonita pintada de palhaço, apesar de ser uma coisa muito simples e ter evoluído ao longo do tempo. Primeiro, tinha umas grandes bocas, uns olhos grandes e ainda usava calças, não tinha cabeleira. Depois arranjei uma cabeleira bonita, que se levanta quando me enervo e tal… Mas já não me lembro da última vez que me vesti de palhaço. >
Revista Saúda N.5
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