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Revista Saúda N.6

Saúde 19 O regresso à vida só aconteceu quando uma das melhores amigas, influenciada pela sua atitude em relação à comida, resolveu fazer o mesmo: deixou de comer. Emagreceu, decidiu comer ainda menos. Ao vê-la «cadavérica», Cláudia sentiu-se responsável e confrontou-se com a sua própria realidade: «Se calhar, tenho mesmo um problema», pensou. Conta que pesquisou sobre o assunto na Internet. Ainda se via gorda frente ao espelho, mas passou a não entender como «tinha um namorado que achava aquilo normal». Terminou a relação, deixou de se ver ao espelho, deitou fora a balança. Foi o arranque para uma nova vida. «No início foi muito difícil. Tentava comer, mas sentia-me cheia com qualquer coisa. E tinha medo do que estava a provocar no meu corpo, não conseguia ser equilibrada». Um «pormenor que ajudou muito» foi a admissão na Universidade, em Comunicação Social. «Entrei com média de 16, mas chegaram os primeiros exames e não tinha nada que ver com o secundário», recorda. Até porque, confessa, «eu nem sabia estudar. Nunca tinha sido necessário. Sempre havia tido bons resultados sem esforço. Baixei as notas. Tornei-me uma entre muitos». Primeiro, sentiu «um choque surreal». Mas depressa se acostumou. Percebeu, finalmente, que «não temos de ser melhores do que os outros». Nem perfeitos. Que é bom ser apenas uma rapariga. Aos 20 anos, passou a ter uma alimentação equilibrada. Mas ainda hoje é necessário cuidado: «Sei que não tenho noção. Há dias em que me olho ao espelho e me vejo gorda. Noutros, sinto-me magra». Aprendeu alguns truques para viver com a doença. Além de não ter balança, quando se vê gorda no espelho volta a olhar-se no dia seguinte para confirmar se percebeu bem a mensagem. Foi «necessário aprender a viver». Perceber que «se a roupa te serve, não estás demasiado gorda». Há outros truques. Perguntar aos amigos, que sabem do problema, o que acham. Também aprendeu a relativizar. «Se corre menos bem, não quero saber. Não tenho de ser perfeita. Estou muito mais calma». Aprendeu a amar-se. E a sorrir. Outro truque, talvez um dos mais importantes, foi abandonar a ideia de que «podia controlar tudo. Até o meu corpo». • © CATHY KAPLAN


Revista Saúda N.6
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