Page 40

Revista Saúda N.6

40 Boa disposição Os justamente alcandorados a “vultos literários” levaram um banho de bronze dos vindouros: Eça abraça uma musa num jardim de palmeiras, Pessoa pensa em nada na esplanada d’A Brazileira e Camões controla tudo a 12 metros de altura. No meio deles, noutro pedestal de pedra, António Ribeiro, o tal poeta satírico. Puseram-lhe à porta uma saída do metropolitano, mas a maioria tropeça nele sem o ver, quanto mais ouvir. – Que dirias agora disto, ó Chiado? A taberna do Gaspar também se perdeu no tempo, mas por aqui ainda há o restaurante certo para cada visitante. Porta sim, porta não, o vizinho Bairro Alto chama para a mesa. Arroz de línguas de bacalhau no Fidalgo, pastéis de massa tenra no Sinal Vermelho, lampreia no 1.º de Maio. Tudo almoços de chorar por mais. Para jantares inesquecíveis, o Duplex. Fica no Cais do Sodré, local especializado em cocktails de criaturas do lado errado da noite com juventude em festa, de copo na mão pelas ruas. Maria da Luz Sequeira passeia na Baixa sem pressas, a coleccionar destinos. Deixa-se tentar por uma fatia de bolo-rei na Confeitaria Nacional, pelas lojas de chá e cafés de balão. Também lhe abrem o apetite as casas antigas de adereços exclusivos, como a Luvaria Ulisses e a Chapelaria Azevedo Ruas, à esquina da Ginginha do Rossio. – Três com elas, pago eu. É terça- feira, a Feira da Ladra abriu hoje às cinco da madrugada. Maçanetas de porta, azulejos, discos, roupas, farrapos, rádios de todas as épocas, peças e cacos, espólios de lata e de museu, uma orgia do comércio a céu aberto. O eléctrico 28, carregado de turistas, carteiristas e alguns lisboetas suspende a marcha frente à Igreja de S. Vicente de Fora e vê-se logo o rebuliço. Duas paragens adiante é o guarda-freios quem grita. – Castelo, castle, château. Está escondido na colina, precisa de aviso. Da Cerca Moura ou do Miradouro de Santa Luzia o que se vê é o rio. Um vai e vem de barcos cacilheiros e paquetes de cruzeiro descomunais atracados em Santa Apolónia. As viagens até Cacilhas, Trafaria ou Porto Brandão são bons programas de fim-de-semana em família. Lisboa revela-se inteira ao rio. Maria da Luz já levou o neto e recomenda o HIPPOtrip, um divertido autocarro anfíbio. Por falar em crianças, Jardim Zoológico, Oceanário e Planetário são experiências obrigatórias. >


Revista Saúda N.6
To see the actual publication please follow the link above