Diabetes: principais consequências e complicações
Segundo os dados mais recentes (7ª Edição do Observatório Nacional de Diabetes, publicados a novembro de 2015), a prevalência da diabetes na população portuguesa entre os 20 e os 79 anos é de 13,1%, o que significa que mais de 1 milhão de portugueses nesta faixa etária tem diabetes.

 

Quando não tratada devidamente, a diabetes pode originar complicações graves, algumas das quais podem trazer consequências a longo prazo para o doente ou até mesmo levar à morte. Essas complicações são causadas por níveis elevados de glicose no sangue, os quais podem originar lesões nos diferentes órgãos:

> Retinopatia diabética – afeção da retina (a mais profunda das três membranas do olho) que, em casos de maior gravidade, pode evoluir para um estado permanente de cegueira. Esta é a complicação ocular mais comum da diabetes e uma das principais causas de cegueira no nosso país. É possível sofrer desta patologia sem que se tenha consciência disso, devido à ausência de sintomas na fase inicial.

> Falha renal – a diabetes pode também danificar os vasos sanguíneos renais. Esses danos designam-se por nefropatia e podem levar a insuficiência renal crónica ou à falência do rim, havendo, em certos casos, a necessidade de transplante, ou até mesmo ocorrendo morte.

> Doença periodontal – na boca, pode ocorrer uma inflamação da gengiva e até perdas ósseas, as quais podem ocasionar a queda de dentes. Isto acontece porque o elevado nível de glicose potencia a acumulação de bactérias e consequente formação de cáries e doença periodontal (condição de inflamação crónica que ataca a estrutura de suporte dos dentes e destrói o osso).

> Pé diabético – o excesso de glicose pode provocar danos nos nervos (neuropatia), os quais levam a perda de sensibilidade nas extremidades (mãos, pernas e pés), caracterizada inicialmente por uma sensação de formigueiro e dor. Além disso, os diabéticos têm maior risco de desenvolver doença vascular periférica (problemas de circulação sanguínea nas extremidades do corpo). Como consequência, a irrigação sanguínea das extremidades do corpo fica comprometida, podendo dificultar a cicatrização de feridas existentes nos pés e eventualmente conduzir ao aparecimento de úlceras, originando o pé diabético. Esta é uma das mais notáveis complicações da diabetes, com piores consequências para o doente.

> Cetoacidose diabética – ocorre mais frequentemente em doentes com diabetes tipo I, originando no corpo uma alteração ácido-base, um estado de hiperglicemia permanente e a formação de corpos cetónicos, podendo levar a morte. Esta complicação pode estar associada a infeções, comumente renais ou respiratórias, a doenças que provoquem uma produção exagerada de certas hormonas, como adrenalina ou cortisol, ou a uma falha na terapêutica com insulina.